Na estrutura das ciências criminais, a criminologia é a ciência que se dedica ao estudo do crime, do criminoso e dos fatores da criminalidade. A vitimologia, por sua vez, tem por objeto o estudo da vítima e de suas peculiaridades, focalizando suas características, vulnerabilidades e experiências no ciclo delitivo. Para alguns autores, a vitimologia é, inclusive, considerada uma ciência autônoma.
“Enquanto a criminologia pode ser identificada como a ciência que se dedica ao estudo do crime, do criminoso e dos fatores da criminalidade, a vitimologia tem por objeto o estudo da vítima e de suas peculiaridades, sendo considerada por alguns autores como ciência autônoma.” (MPE-SC – Promotor de Justiça – Matutina / MPE-SC / 2016)
Ao investigar a vítima, a vitimologia busca compreender perfis, contextos de risco e processos de vitimização, sem incorrer em culpabilização indevida. Examina impactos físicos, psicológicos e sociais do delito, bem como respostas institucionais e sociais à vítima, incluindo temas como vitimização primária e secundária, canais de apoio, reparação e acesso à justiça. Esse recorte permite enxergar o fenômeno criminal a partir de quem sofre diretamente seus efeitos.
Embora distinta no foco, a vitimologia se articula com a criminologia de forma complementar. Ao deslocar o olhar para a vítima, ela subsidia políticas de prevenção, desenho de serviços de assistência e aprimoramento do sistema de justiça, fortalecendo direitos, reduzindo a revitimização e orientando estratégias de redução de danos. Para o concurseiro, compreender esse diálogo ajuda a organizar o estudo: criminologia analisa crime, autor e fatores; vitimologia concentra-se na vítima.
Quanto à natureza científica, há debate: parte da doutrina trata a vitimologia como ramo da própria criminologia; parte a reconhece como ciência autônoma. Independentemente da classificação, o ponto-chave para a prova é recordar que seu objeto é a vítima e suas particularidades, enquanto a criminologia mantém um escopo mais amplo voltado ao crime, ao criminoso e às causas da criminalidade.