A criminologia cultural é uma vertente que coloca a cultura no centro da análise do crime e do controle social. Partindo desse enfoque, considera centralmente elementos da pós-modernidade — como a aceleração informacional, a cultura do consumo, a estetização da vida cotidiana e a centralidade da mídia — para explicar como certos comportamentos passam a ser vistos como desvio. Em outras palavras, para entender o crime e as transgressões hoje, é preciso observar os significados culturais que os envolvem.
A criminologia cultural considera aspectos típicos da pós-modernidade na compreensão do desvio. (FCC – Defensor Público / DPE-AM / 2025)
Nessa perspectiva, o desvio não é apenas uma violação de normas, mas também uma produção de sentidos, símbolos e identidades. Dinâmicas típicas da pós-modernidade, como identidades fluidas, performances em redes sociais, tribos urbanas e mercantilização de estilos, influenciam as motivações, as formas de agir e, sobretudo, a reação social. A mídia e os algoritmos amplificam narrativas, transformando eventos em espetáculos e moldando o que é percebido como perigoso, glamouroso ou indigno.
Exemplos ajudam a visualizar: práticas de ostentação on-line, corridas de rua articuladas por comunidades virtuais, grafites e intervenções urbanas, ou ainda desafios virais, são interpretados à luz de signos, estética e pertencimento. A criminologia cultural analisa como esses códigos culturais — e não apenas fatores socioeconômicos ou jurídicos — estruturam tanto a prática quanto a rotulação do desvio, inclusive quando há apropriação comercial dessas imagens.
Metodologicamente, a abordagem costuma dialogar com etnografias, estudos de mídia e análise de discursos, valorizando a experiência vivida e o contexto simbólico. Assim, mais do que contabilizar infrações, procura compreender o “porquê” e o “como” cultural do desvio na contemporaneidade, reafirmando que seus contornos são inseparáveis de processos culturais próprios da pós-modernidade.