A criminologia verde é uma vertente que estuda os danos e crimes ambientais a partir das relações de poder, destacando quem produz o dano, quem sofre seus efeitos e como o sistema de controle social responde a essas violações. Ela se conecta à criminologia crítica contemporânea porque compartilha a mesma base: a crítica ao capitalismo enquanto estrutura que organiza a produção, a circulação e o consumo e, nesse processo, produz e distribui desigualmente riscos, danos e vitimizações ambientais.
“A criminologia verde conecta-se com a criminologia crítica contemporânea em face da crítica ao capitalismo que subjaz sua construção, especialmente nas desigualdades da relação entre norte global e sul global e a questão do ecocídio.” (FCC – Defensor Público / DPE-ES / 2023)
Nessa perspectiva, o capitalismo tende a externalizar custos ecológicos para populações menos favorecidas e territórios periféricos, o que evidencia as desigualdades na relação entre norte global e sul global. Países e corporações localizados no norte consomem desproporcionalmente recursos e transferem resíduos, poluição e atividades extrativas de alto impacto para o sul, gerando injustiças ambientais históricas e contemporâneas. A criminologia verde, em diálogo com a crítica, evidencia como essa assimetria se traduz em vitimização coletiva, difusa e intergeracional.
Outro ponto de convergência é a questão do ecocídio, entendida no debate acadêmico e político como a destruição grave e generalizada de ecossistemas. Ao trazer o ecocídio para o centro da análise, a criminologia verde demonstra que os maiores danos ambientais frequentemente decorrem de práticas econômicas legalmente toleradas ou insuficientemente reguladas, expondo os limites do direito penal tradicional e a necessidade de repensar categorias, responsabilizações e políticas públicas.
Para fins de prova, o núcleo da cobrança costuma enfatizar exatamente essa articulação: a criminologia verde é uma leitura crítica dos danos ambientais que denuncia a racionalidade capitalista subjacente, aponta as assimetrias estruturais entre norte e sul globais e incorpora o debate sobre o ecocídio como marco analítico e normativo. Memorizar esse tripé ajuda a identificar a alternativa correta em questões conceituais e interdisciplinares.