Na perspectiva macrossociológica, a criminologia moderna observa o crime a partir das estruturas e dinâmicas amplas da sociedade — como instituições, normas e relações de poder. Nessa chave de leitura, o pensamento criminológico é tradicionalmente influenciado por duas visões fundamentais: as teorias de consenso e as teorias de conflito. Entender a oposição e o diálogo entre essas matrizes ajuda a explicar tanto por que certas condutas são criminalizadas quanto como o sistema penal atua na prática.
“Na perspectiva macrossociológica, o pensamento criminológico moderno é influenciado por duas visões: a das teorias de consenso e a das teorias de conflito.” (CESPE – Delegado de Polícia / PC-SE / 2018)
As teorias de consenso partem da ideia de que a sociedade se organiza em torno de valores e normas compartilhados. O direito penal, nesse sentido, expressa o que é considerado socialmente reprovável pela coletividade, e o crime surge como violação desse consenso. A resposta penal busca restaurar a ordem e proteger a coesão social, enfatizando mecanismos de controle social, prevenção e integração. Essa visão dialoga com abordagens funcionalistas e costuma embasar políticas orientadas à manutenção da estabilidade institucional.
Já as teorias de conflito veem a sociedade como marcada por desigualdades e disputas entre grupos com interesses divergentes. Nessa ótica, as leis não refletem um consenso neutro, mas a hegemonia de grupos dominantes, que definem o que será criminalizado e como a punição será aplicada. O crime e a reação penal são compreendidos à luz das relações de poder e da seletividade do sistema de justiça, o que aproxima essa corrente da criminologia crítica e de análises sobre controle social, estigmatização e desigualdade.
Para provas, a chave é identificar o foco: se a explicação do crime remete à ordem, coesão e valores comuns, está-se diante de uma leitura de consenso; se destaca disputa, dominação e seletividade, trata-se de conflito. Ambas são lentes macrossociológicas e estruturam boa parte do debate contemporâneo sobre criminalização, política criminal e limites do poder punitivo.