No campo das teorias macrossociológicas da criminalidade, Albert Cohen é um dos precursores da teoria da subcultura delinquente. Em sua análise da delinquência juvenil, ele identifica três traços centrais que ajudam a compreender o comportamento de grupos de jovens em contextos urbanos: versatilidade, hedonismo-imediatista e autonomia do grupo. Esses elementos descrevem tanto o padrão de condutas adotadas quanto a lógica interna que sustenta a coesão e a identidade desses coletivos.
No que se refere às teorias macrossociológicas da criminalidade e aos movimentos atuais de política criminal,é correto afirmar que Albert Cohen, um dos precursores da teoria da subcultura delinquente, assinala como características do fenômeno da delinquência juvenil a versatilidade, o hedonismo-imediatista e a autonomia do grupo. (CESPE / CEBRASPE – Promotor de Justiça Substituto (fase matutina) / MPE-SC / 2023)
A versatilidade indica que as ações delitivas não seguem uma especialização rígida: os jovens alternam entre diferentes práticas, como depredação, brigas, pequenos furtos e outras infrações de oportunidade. Mais do que um cálculo instrumental para ganhos materiais, trata-se de um repertório amplo de condutas que expressam desafio à ordem estabelecida, status dentro do grupo e adesão aos valores subculturais que se afirmam em oposição às normas convencionais.
O hedonismo-imediatista revela a busca por prazer, excitação e gratificação instantânea, com baixa ponderação de consequências futuras. A lógica é presentista: prevalecem o risco, a aventura e a diversão, em detrimento de objetivos utilitaristas de longo prazo. Esse traço ajuda a explicar por que muitas condutas juvenis parecem “gratuitas” ou pouco racionais sob a ótica do controle social formal, embora façam sentido à luz da dinâmica interna do grupo.
Por fim, a autonomia do grupo significa que a coesão e os códigos de honra, lealdade e reconhecimento são produzidos e validados pelos próprios pares, com relativa independência de instituições adultas (família, escola, trabalho). É essa normatividade própria que dá suporte à identidade coletiva e legitima comportamentos que, do ponto de vista externo, são reprováveis. Em conjunto, esses três traços descritos por Cohen estruturam a compreensão da delinquência juvenil como fenômeno subcultural, com regras e sentidos compartilhados internamente.