Em Criminologia, a Escola de Chicago é a teoria sociológica que, de forma preponderante, desenvolveu e relacionou ao fenômeno criminal os conceitos de desorganização social e de áreas de delinquência. Nascida do estudo empírico das cidades, especialmente de Chicago no início do século XX, essa abordagem desloca o foco do indivíduo para o ambiente urbano, mostrando como a estrutura social e o espaço influenciam a ocorrência de crimes.
Os conceitos básicos de “desorganização social” e de “áreas de delinquência” são desenvolvidos e relacionados com o fenômeno criminal de modo preponderante, por meio da teoria sociológica da criminalidade, denominada como Escola de Chicago. (VUNESP – Agente Policial / PC-SP / 2018)
O conceito de desorganização social descreve a fragilização do controle social informal em determinados bairros, quando instituições como família, escola, igreja e redes comunitárias se tornam menos eficazes para regular comportamentos. Em contextos de pobreza persistente, alta mobilidade residencial e heterogeneidade populacional, laços comunitários tendem a enfraquecer, reduzindo a capacidade coletiva de prevenir a criminalidade. Assim, o crime não é visto como fruto exclusivo de escolhas individuais, mas como resultado de condições estruturais que dificultam a coesão e a vigilância social.
As chamadas áreas de delinquência surgem desse processo: são zonas urbanas onde as taxas de crime se mantêm elevadas ao longo do tempo, independentemente da troca de moradores. Estudos clássicos mapearam a cidade em zonas concêntricas e observaram que certos territórios, marcados pela desorganização social, concentravam maior delinquência juvenil e reincidência. A mensagem central é que o lugar — suas dinâmicas e oportunidades — explica mais o crime do que características pessoais dos indivíduos, o que fundamenta políticas de prevenção voltadas ao fortalecimento comunitário e à requalificação urbana.