No campo da criminologia crítica, reconhecer que policiais negros também estão expostos à violência institucional é fundamental para compreender o fenômeno do racismo estrutural. Esse tipo de violência não se limita à população civil: ele se manifesta nas rotinas, regras e práticas organizacionais que incidem sobre os próprios profissionais de segurança. Quando falamos em racismo estrutural, tratamos de mecanismos históricos e institucionais que, mesmo sem intenção individual explícita, produzem e reproduzem desigualdades raciais. Assim, a experiência de policiais negros dentro das corporações revela uma faceta interna desse problema social.
“Policiais negros também estão expostos à violência institucional exercida sobre os corpos policiais, o que denota outra faceta do racismo estrutural.” (FGV – Delegado de Polícia / PC-AM / 2022)
A expressão violência institucional exercida sobre os corpos policiais descreve a forma como a instituição molda, controla e, por vezes, agride física e simbolicamente seus integrantes, por meio de estruturas hierárquicas rígidas, metas e cobranças, exposição continuada a risco e silenciamento do sofrimento psíquico. Esses elementos atingem todo o efetivo, mas, no caso de policiais negros, somam-se marcadores raciais que podem amplificar a vulnerabilidade, a vigilância sobre sua conduta e a subvalorização de sua competência. O resultado é uma sobrecarga que não decorre apenas da função policial em si, mas também do lugar racial que esses profissionais ocupam em uma estrutura social desigual.
Como dimensão do racismo estrutural, esse quadro pode aparecer em práticas de gestão e cultura organizacional que naturalizam desigualdades: dificuldades informais de acesso a oportunidades, distribuição de tarefas mais arriscadas, estigmatização velada e respostas disciplinares desproporcionais. O ponto central para a prova é perceber que não se trata de atitudes isoladas ou de casos excepcionais, e sim de padrões que atravessam a instituição e reproduzem, em seu interior, a mesma lógica racializada que opera no sistema penal de forma mais ampla.
Por isso, ao se deparar com assertivas sobre racismo estrutural em corporações policiais, a interpretação adequada é reconhecer que policiais negros também são alvo dessa violência institucional. Esse entendimento alinha-se à doutrina criminológica contemporânea e tem sido objeto de cobrança em concursos, exigindo do candidato uma leitura crítica das dinâmicas institucionais e de seus efeitos diferenciados por raça.