1. Introdução e Contextualização do Julgado
A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 973/DF), popularmente denominada “ADPF Vidas Negras”, consolidou-se como um dos julgamentos mais paradigmáticos da história recente da jurisdição constitucional brasileira. Sob a relatoria do Ministro Luiz Fux e julgada em 18 de dezembro de 2025 (Informativo 1203), a ação foi ajuizada por partidos políticos com o escopo de obter o reconhecimento judicial do racismo estrutural no país. O pleito central buscava não apenas a afirmação dessa realidade social, mas também a declaração do “estado de coisas inconstitucional” (ECI) em face da vulnerabilidade sistêmica da população negra.
2. O Reconhecimento do Racismo Estrutural
O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao analisar o mérito, validou a tese de que o racismo no Brasil não é um fenômeno episódio ou individual, mas sim um processo histórico que permeia as estruturas institucionais, econômicas e sociais do Estado. A Corte entendeu que a desigualdade racial é um fator determinante na distribuição de direitos e oportunidades.
O Supremo Tribunal Federal reconheceu formalmente a existência do racismo estrutural no Brasil.
3. A Rejeição do Estado de Coisas Inconstitucional (ECI)
Apesar de reconhecer a gravidade do cenário, o STF rejeitou o pedido de declaração do “estado de coisas inconstitucional”. Para o candidato e o profissional do Direito, é fundamental compreender a distinção técnica aplicada pela Corte: o ECI é um remédio de ultima ratio, reservado para situações de paralisia administrativa absoluta ou omissão estatal generalizada e inerte.
A Corte fundamentou a rejeição ao ECI demonstrando que, diversamente do cenário de “omissão estatal absoluta”, o Estado brasileiro já possui e executa políticas públicas ativas para o enfrentamento da desigualdade, tais como:
- Estatuto da Igualdade Racial: Lei que estabelece o marco legal para a superação das desigualdades raciais;
- Lei de Cotas para universidades: Política de ação afirmativa consolidada no acesso ao ensino superior;
- Lei de Cotas em concursos públicos federais: Mecanismo concreto de inclusão de negros nos quadros da administração pública.
Segundo o entendimento fixado, a existência e a vigência desses instrumentos demonstram que o Poder Público possui mecanismos em andamento para combater o problema, o que afasta a necessidade da intervenção judicial excepcional típica do estado de coisas inconstitucional.
4. Determinações e Próximos Passos (Plano Nacional)
Embora tenha afastado o ECI, o STF reconheceu que o enfrentamento ao racismo estrutural exige um esforço coordenado e planejado. Por essa razão, a Corte determinou a criação do Plano Nacional de Combate ao Racismo Estrutural.
Esta medida impositiva estabelece que o Poder Público deve elaborar o referido plano no prazo de 12 meses após o trânsito em julgado da decisão, garantindo que o reconhecimento do racismo resulte em ações práticas e metas mensuráveis.
Este precedente é vital para o Direito Constitucional, pois equilibra o reconhecimento de uma falha social estruturante com a deferência às políticas públicas já instituídas pelo Legislativo e Executivo. O julgado reforça o papel do STF como indutor de direitos fundamentais, exigindo planejamento estratégico para a superação de desigualdades históricas.
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