A Teoria da Desorganização Social, associada a Robert Park e Ernest Burguess, sustenta que o aumento da criminalidade nas grandes cidades decorre do enfraquecimento do controle social informal, da desordem e da falta de integração e solidariedade entre os membros da comunidade. Em contextos urbanos marcados por rápido crescimento, mobilidade populacional e heterogeneidade, os laços comunitários tendem a se romper, reduzindo a capacidade coletiva de definir e fazer cumprir normas comuns.
“Acerca das teorias sociológicas do crime, é correto afirmar que a teoria da desorganização social, defendida por Robert Park e Ernest Burguess, atribui o incremento da criminalidade nas grandes cidades à debilidade do controle social informal, à desordem e à falta de integração e sentimento de solidariedade entre seus membros.” (CESPE / CEBRASPE – Delegado de Polícia Civil / PC-CE / 2025)
Por controle social informal entende-se o conjunto de expectativas, valores e relações de proximidade que, no dia a dia, orientam comportamentos e inibem desvios sem necessidade de intervenção estatal: família, vizinhança, escola, igrejas e associações locais. Quando esses vínculos estão frágeis, as regras deixam de ser compartilhadas e monitoradas, o anonimato se amplia e conflitos cotidianos deixam de ser resolvidos comunitariamente — ambiente em que condutas delitivas encontram terreno fértil. A presença de desordem física e social reforça essa dinâmica ao sinalizar ausência de coesão e de capacidade de reação coletiva.
Nessa perspectiva, não é o indivíduo isolado, mas o contexto comunitário desorganizado que melhor explica padrões elevados de crime. A literatura clássica da Escola de Chicago mostrou que áreas urbanas com alta rotatividade residencial, pobreza e heterogeneidade cultural tendem a apresentar menor coesão e maior criminalidade, justamente pela debilidade do controle informal e do sentimento de pertencimento. Políticas de prevenção eficazes, portanto, priorizam o fortalecimento dos laços comunitários e das instituições locais, promovendo integração, confiança e eficácia coletiva.