A Teoria da Desorganização Social, desenvolvida por pesquisadores da Escola de Chicago, explica a criminalidade a partir das condições do ambiente urbano e do grau de coesão das comunidades. Para essa abordagem, o crime não decorre de uma predisposição individual, mas do enfraquecimento das estruturas sociais locais que normalmente regulam comportamentos e transmitem normas.
A crise dos valores tradicionais e familiares, a alta mobilidade, a explosão demográfica e o enfraquecimento do controle social são considerados fatores criminógenos pela escola de Chicago. (CESPE / CEBRASPE – Promotor de Justiça Substituto – / MPE-SC / 2021)
Nesse sentido, são apontados como fatores criminógenos a crise dos valores tradicionais e familiares, a alta mobilidade dos moradores, a explosão demográfica e o enfraquecimento do controle social. A erosão de valores compartilhados e das referências familiares reduz a capacidade de orientação e supervisão dos jovens. A rotatividade intensa de residentes dificulta a formação de laços de confiança e cooperação, essenciais ao controle social. O crescimento populacional acelerado pressiona serviços e instituições, criando anonimato e conflitos. Por fim, o declínio do controle social — sobretudo o controle social informal, exercido por família, vizinhança e associações locais — deixa comportamentos desviantes menos vigiados e sancionados.
Os estudos clássicos de Shaw e McKay demonstraram que áreas urbanas marcadas por rápida mudança populacional e estrutura comunitária frágil tendem a apresentar taxas mais altas e persistentes de delinquência. Nessas zonas de transição, a combinação de mobilidade elevada, crescimento demográfico e redes sociais desagregadas impede a transmissão estável de normas e favorece a continuidade do crime, independentemente de quem ali resida.
Para a prova, o ponto-chave é reconhecer que a Escola de Chicago vincula a criminalidade à desagregação comunitária produzida por mudanças sociais intensas. Assim, identificar a crise de valores tradicionais e familiares, a alta mobilidade, a explosão demográfica e o enfraquecimento do controle social como fatores criminógenos está correto. Em termos de política criminal, a lógica preventiva passa por recompor vínculos locais, fortalecer instituições comunitárias e ampliar oportunidades legítimas, restaurando a capacidade de controle social.