A teoria das subculturas criminais entende que a criminalidade não surge isoladamente no indivíduo, mas em contextos coletivos que compartilham valores próprios. Nesses ambientes, há transmissão de valores subculturais que favorecem ou justificam o desvio, e isso ocorre por meio de um processo de interação e aprendizagem contínuos, especialmente entre pares juvenis. O jovem aprende definições favoráveis à violação da lei, incorpora normas do grupo e passa a enxergar determinadas condutas como legítimas dentro daquela realidade subcultural.
“A teoria das subculturas criminais explica a criminalidade pela transmissão de valores subculturais, que pressupõe um processo de interação e aprendizagem, e pela interiorização de técnicas de neutralização, por meio das quais os jovens justificam o seu comportamento desviante.” (NC-UFPR – Delegado de Polícia / PC-PR / 2021)
Esse processo é reforçado pela interiorização de técnicas de neutralização, isto é, mecanismos discursivos e cognitivos usados para justificar o ato desviante sem romper completamente com os valores sociais dominantes. Entre as mais conhecidas estão a negação da responsabilidade, a negação do dano, a negação da vítima, a condenação dos condenadores e o apelo a lealdades superiores. Ao lançar mão dessas técnicas, o jovem reduz a culpa, suspende a obrigação de obedecer à regra e racionaliza seu comportamento perante si mesmo e perante o grupo.
Em síntese, a teoria explica a criminalidade juvenil pela socialização em subculturas que transmitem valores pró-desvio e pela aprendizagem de justificativas que tornam aceitáveis, aos olhos do próprio agente, condutas reprovadas oficialmente. Em provas, atente para a ideia-chave de que há uma dupla engrenagem explicativa: a transmissão/aprendizagem de valores subculturais e a interiorização das técnicas de neutralização, pelas quais os jovens justificam o comportamento desviante. Essa leitura desloca o foco de causas individuais para processos de grupo e de comunicação de valores.