Na criminologia, o método empírico é a via de conhecimento que parte da realidade observável: coleta, mensuração e interpretação de evidências concretas sobre o crime. Em termos práticos, ele se caracteriza pelos levantamentos estatísticos e pela análise de dados que permitem estabelecer a dinâmica e as variáveis do delito — como frequência, localização, modus operandi e perfis envolvidos. Assim, em vez de suposições abstratas, a criminologia empírica fundamenta suas conclusões em informações verificáveis.
“Os levantamentos estatísticos e a análise de dados que estabelecem a dinâmica e as variáveis do delito, entre outros elementos, caracterizam o método empírico da criminologia.” (CESPE / CEBRASPE – Delegado de Polícia / PC-RO / 2022)
Para aplicar esse método, o pesquisador reúne dados de fontes oficiais e extraoficiais, como boletins de ocorrência, inquéritos de vitimização, registros do sistema de justiça e bases de saúde pública, e os organiza em séries históricas e indicadores. A análise de dados resultante busca identificar padrões temporais e espaciais do crime, correlações relevantes e tendências, permitindo compreender como os delitos se distribuem no tempo e no espaço e quais fatores se relacionam à sua ocorrência. Esse mapeamento é o que revela a dinâmica do fenômeno e as suas principais variáveis.
Os achados empíricos orientam diagnósticos precisos e o desenho de políticas públicas baseadas em evidências, como estratégias de prevenção, alocação de recursos e avaliação de programas. Além de apoiar decisões de gestão e de investigação, o método empírico favorece o controle de resultados, permitindo verificar se intervenções reduziram determinados indicadores e se ajustes são necessários. A qualidade das conclusões depende da validade e da confiabilidade dos dados utilizados, razão pela qual a coleta sistemática e a análise crítica são etapas indispensáveis.