Na criminologia crítica, a ideia de que a dignidade se constrói subjetiva e socialmente por meio de experiências de reconhecimento é central. Quando pessoas e grupos são reconhecidos como titulares de valor e direitos, fortalecem sua autoimagem e seu pertencimento ao corpo social. O inverso — a valorização negativa e a consequente produção da invisibilidade social — rompe laços, mina a autoestima coletiva e se converte em graves obstáculos à integração social, razão pela qual esse tema assume importância decisiva na reflexão criminológica.
A construção do sentido subjetivo e social da dignidade, possibilitada pelas experiências de reconhecimento, assume uma importância decisiva na reflexão criminológica, uma vez que a valorização negativa de determinados indivíduos ou grupos, isto é, a produção social da invisibilidade, converte-se em gravíssimos problemas de integração social. (FUMARC – Delegado de Polícia Substituto / PC-MG / 2021)
Reconhecimento, aqui, significa ser visto e tratado como legítimo, digno e capaz de participar da vida social em condições de igualdade. A falta desse reconhecimento alimenta processos de estigmatização e rotulação, pelos quais determinados grupos passam a ser percebidos como menos valiosos ou perigosos. Essa depreciação social restringe acesso a oportunidades, amplia vulnerabilidades e cria contextos propícios à intervenção penal seletiva, reproduzindo ciclos de exclusão que o sistema de justiça, isoladamente, não consegue resolver.
Por isso, a criminologia crítica destaca que políticas criminais e sociais devem enfrentar a invisibilidade social, promovendo práticas institucionais orientadas ao respeito e à inclusão. Isso implica garantir tratamento não discriminatório, ampliar direitos e serviços públicos, e construir respostas à violência que reforcem laços comunitários, em vez de aprofundar marcas de inferiorização. Em síntese, sem reconhecimento não há dignidade efetiva; e sem dignidade compartilhada, multiplicam-se os problemas de integração que estão na raiz de muitos conflitos estudados pela criminologia.