Em Criminologia, a Escola de Chicago destacou-se por investigar o crime a partir da realidade urbana e das experiências concretas dos indivíduos. Um de seus principais legados metodológicos foi o desenvolvimento do relato autobiográfico, também chamado de história de vida, para compreender a questão criminal. A ideia central é captar a perspectiva do próprio sujeito sobre sua trajetória, permitindo enxergar como fatores pessoais, familiares, comunitários e urbanos se entrelaçam na formação e manutenção do comportamento delitivo.
A Escola de Chicago desenvolveu o relato autobiográfico ou "história de vida" como forma de compreensão da questão criminal. (FCC – Defensor Público / DPE-ES / 2023)
Na prática, a técnica de história de vida envolve narrativas extensas, entrevistas em profundidade e análise de documentos pessoais, reconstruindo etapas marcantes do envolvimento com o crime, eventos críticos, relações com instituições e redes de sociabilidade. Diferentemente de abordagens puramente estatísticas, esse método qualitativo busca compreender significados, motivações e contextos que moldam escolhas, oportunidades e respostas sociais ao desvio, produzindo um retrato denso e contextualizado do fenômeno criminal.
Esse enfoque dialoga com a matriz ecológica e interacionista da Escola de Chicago, que analisa como ambientes urbanos, dinâmicas de vizinhança e processos de desorganização social influenciam trajetórias individuais. As histórias de vida revelam como o espaço, as relações e as experiências acumuladas ao longo do tempo impactam o ingresso, a permanência e a eventual desistência do crime. Para o concurseiro, é ponto-chave associar a Escola de Chicago ao uso de métodos qualitativos — especialmente o relato autobiográfico — como instrumento clássico para entender a criminalidade.