Na criminologia e na sociologia, as análises de Erving Goffman sobre o estigma integram diretamente a perspectiva do interacionismo simbólico. Para Goffman, o estigma é um atributo socialmente construído que desqualifica e reduz o indivíduo a uma identidade deteriorada diante dos outros. Essa construção não existe em si mesma: emerge e ganha significado nas interações cotidianas, em que rótulos são atribuídos, confirmados e negociados. Por isso, afirmar a relação entre estigma e interacionismo simbólico é reconhecer que desvio e identidade são produtos de processos de definição social.
As considerações de Goffman sobre o “estigma” se relacionam diretamente com o interacionismo simbólico. (FCC – Defensor Público / DPE-PB / 2022)
O interacionismo simbólico sustenta que significados são criados e recriados nas interações, influenciando como as pessoas se percebem e são percebidas. Nesse quadro, o estigma opera como um sinal que orienta expectativas e tratativas: quem é rotulado passa a ser visto e tratado conforme esse rótulo, e tende a ajustar sua autoimagem a ele. Em Goffman, isso aparece na ideia de gestão das impressões e nas estratégias para lidar com marcas descreditadoras, revelando como as identidades são continuamente performadas diante do olhar social.
Essa base teórica dialoga diretamente com a Teoria do Etiquetamento (Labelling Approach) na criminologia: a reação social e a imposição de rótulos podem transformar condutas episódicas em carreiras desviantes, sobretudo quando o estigma restringe oportunidades e reforça a exclusão. Ao compreender o desvio como resultado de processos interativos — e não como essência do indivíduo —, Goffman oferece ferramentas para analisar práticas institucionais que estigmatizam, bem como para orientar respostas penais e políticas públicas que evitem a rotulação e seus efeitos cumulativos.
Em síntese, o vínculo é direto: o estigma, para Goffman, é um fenômeno relacional, interpretado e reproduzido nas trocas sociais, exatamente o escopo do interacionismo simbólico. Essa leitura é central para o estudo da criminalização, pois explica como certos grupos se tornam alvos preferenciais de controle e como o rótulo de infrator pode moldar trajetórias de vida.