A teoria da associação diferencial, formulada por Edwin Sutherland, sustenta que o crime é um comportamento aprendido. De acordo com essa perspectiva, o indivíduo aprende o comportamento delituoso do mesmo modo que aprende condutas lícitas: na interação cotidiana com pessoas e grupos, por meio de um processo comunicativo que transmite valores, técnicas e justificativas.
“Sobre a teoria criminológica da associação diferencial, é correto afirmar que o comportamento delituoso se aprende do mesmo modo que o indivíduo aprende também outras condutas e atividades lícitas, em sua interação com pessoas e grupos e mediante um complexo processo de comunicação.” (FUMARC – Delegado de Polícia Substituto / PC-MG / 2021)
Esse aprendizado ocorre quando o sujeito entra em contato com definições favoráveis ou desfavoráveis à violação da lei. Em ambientes nos quais prevalecem mensagens que aprovam ou racionalizam a prática criminosa, o indivíduo tende a internalizar tais padrões. O processo envolve tanto o domínio de técnicas para a execução do delito quanto a formação de motivações e neutralizações que o legitimam aos olhos do agente, sem depender de predisposições inatas ou fatores biológicos.
A intensidade, a frequência, a duração e a prioridade dos contatos com esses grupos influenciam a força desse aprendizado. Relações primárias, como família e pares próximos, costumam ter impacto maior do que contatos esporádicos. Por isso, políticas de prevenção que alterem redes de interação e ofereçam referências pró-sociais são coerentes com a teoria e ajudam a compreender por que contextos sociais distintos geram padrões de comportamento também distintos.