A teoria da associação diferencial sustenta que as pessoas aprendem comportamentos — inclusive os criminosos — a partir dos exemplos, valores e influências presentes nos grupos com os quais interagem. Em outras palavras, técnicas, motivações e justificativas para violar a lei são internalizadas no convívio social. Essa perspectiva, desenvolvida na criminologia por Edwin Sutherland, corresponde exatamente à ideia de que o indivíduo molda seu comportamento com base nas referências que recebe.
“A teoria da associação diferencial, segundo a qual o indivíduo desenvolve seu comportamento individual com base nos exemplos e nas influências que possui, explica, de certa forma, o denominado crime de colarinho-branco.” (CESPE / CEBRASPE – Delegado de Polícia / PC-SE / 2020)
Aplicada ao crime de colarinho-branco, a teoria ajuda a entender como, em certos ambientes corporativos, práticas irregulares podem ser normalizadas e transmitidas a novos integrantes. Quando a cultura organizacional, as conversas informais e os exemplos de lideranças comunicam definições favoráveis à violação da lei — por meio de racionalizações como “todo mundo faz” ou “é assim que se alcançam metas” —, o aprendizado dessas justificativas e técnicas torna mais provável a adoção de condutas ilícitas. Assim, de certa forma, a criminalidade econômica e ocupacional pode ser explicada pelo processo de aprendizagem social.
Na prática, isso significa que a prevenção do crime de colarinho-branco passa, necessariamente, por intervir nas redes de influência: liderança ética, comunicação de valores de conformidade, controles e sanções efetivas, somados a treinamentos que deslegitimem racionalizações pró-delito. Para a prova, fixe a essência: o comportamento desviante é aprendido nas interações sociais, e essa lógica explica, em alguma medida, como delitos empresariais se difundem dentro de determinados grupos profissionais.