Na classificação das teorias criminológicas, as chamadas teorias do consenso partem da ideia de que a sociedade se organiza a partir de valores, normas e metas compartilhados. O crime é visto como um desvio a esse padrão comum, em geral associado a falhas de socialização, desorganização comunitária ou tensões estruturais que afastam o indivíduo das regras dominantes. Em provas, é recorrente a cobrança para identificar quais correntes se alinham a esse paradigma.
São exemplos de teorias do consenso a Escola de Chicago, a teoria de associação diferencial, a teoria da anomia e a teoria da subcultura do delinquente. (Instituto Acesso – Delegado de Polícia – Anulado / PC-ES / 2019)
A Escola de Chicago integra esse grupo ao explicar o delito pela desorganização social em determinados espaços urbanos. A ênfase recai sobre fatores comunitários e ecológicos — como rotatividade populacional e fragilidade do controle social informal — que reduzem a capacidade coletiva de sustentar o consenso normativo. Assim, o aumento da criminalidade é lido como efeito de enfraquecimento dos laços e valores compartilhados.
Também pertencem ao consenso a teoria da associação diferencial, de Sutherland, e a teoria da subcultura do delinquente, de Cohen. Na primeira, o indivíduo aprende definições favoráveis ou desfavoráveis à violação da lei por meio da interação; o desvio emerge quando predominam aprendizagens contrárias às normas gerais da sociedade. Na segunda, subculturas juvenis desenvolvem padrões próprios de status e conduta como resposta a frustrações, mas sempre em referência — e em oposição — às expectativas culturais dominantes, o que preserva a lógica do consenso como pano de fundo.
Por fim, a teoria da anomia também é classificada como teoria do consenso. Em Durkheim, anomia é enfraquecimento da regulação normativa; em Merton, resulta do descompasso entre metas culturais amplamente aceitas e meios legítimos desigualmente acessíveis. Em ambos os casos, parte-se de um núcleo de valores comuns que, quando tensionados, produzem comportamentos desviantes. Por isso, são exemplos de teorias do consenso a Escola de Chicago, a associação diferencial, a anomia e a subcultura do delinquente.