A teoria do labelling approach (ou teoria do etiquetamento/rotulação social) explica que o status de desviante não é uma qualidade inerente ao ato, mas um rótulo produzido nas interações sociais. Seu desenvolvimento foi fortemente influenciado pelo interacionismo simbólico, perspectiva sociológica que enfatiza como significados e identidades são construídos no cotidiano por meio de símbolos, linguagem e relações.
“A teoria do labelling approach tem o interacionismo simbólico na sociologia como forte influência para seu desenvolvimento em ruptura aos modelos de consenso até então imperantes na criminologia.” (FCC – Defensor Público Substituto / DPE-SC / 2017)
Com base nesse referencial, a criminologia passa a focar menos no por que alguém comete uma conduta e mais em como certas pessoas e comportamentos são definidos e rotulados como criminosos por agências formais e pela comunidade. O rótulo afeta trajetórias, oportunidades e a autoimagem do indivíduo, retroalimentando o processo de criminalização.
Esse enfoque representa uma ruptura com os modelos de consenso então dominantes na criminologia, que partiam da ideia de concordância social sobre normas e tratavam o crime como desvio objetivo a ser explicado por características do autor. O labelling approach desloca o eixo de análise para os processos de definição social do crime, evidenciando seletividades, contextos e relações de poder envolvidos na reação social ao desvio.