O positivismo criminológico surgiu no final do século XIX, propondo explicar o crime por meio de causas objetivas e mensuráveis, sobretudo de ordem biológica e psicológica. Em oposição às abordagens clássicas centradas no livre-arbítrio, essa corrente enfatizou o determinismo e a ideia de periculosidade, classificando indivíduos segundo traços tidos como degenerativos. Revestida de linguagem científica, essa leitura forneceu uma base de legitimação para projetos de intervenção sobre o corpo e a vida do chamado delinquente.
“O positivismo criminológico foi decisivo no desenvolvimento do pensamento eugenista brasileiro na primeira metade do século XX.” (FCC – Defensor(a) Público(a) Estadual / DPE-MT / 2026)
No Brasil da primeira metade do século XX, esse arcabouço teórico foi decisivo para a difusão do eugenismo, movimento que pregava o “aperfeiçoamento” da população por meio da seleção, do controle reprodutivo e de políticas de higiene social. A associação, típica do positivismo, entre crime, atavismo e hereditariedade ofereceu uma justificativa técnica para propostas de segregação e de controle biopolítico, reforçando a crença de que o desvio poderia ser prevenido pela gestão dos “tipos” humanos.
A partir dessa convergência, práticas e discursos institucionais ganharam força: classificação de condenados por periculosidade, internação em estabelecimentos especiais, medicalização do desvio e projetos de saneamento moral e populacional. Mesmo quando não convertidas integralmente em lei, essas ideias moldaram diagnósticos periciais, políticas penitenciárias e debates públicos, evidenciando como o positivismo criminológico foi um vetor central na formulação do pensamento eugenista nacional.
Com o tempo, críticas sociológicas e garantistas expuseram os limites e os riscos de reduzir o crime a traços biológicos, destacando vieses excludentes e afrontas a direitos fundamentais. Para fins de prova, contudo, é essencial lembrar: no contexto histórico brasileiro, o positivismo criminológico teve papel decisivo na construção e legitimação do eugenismo na primeira metade do século XX.