Na Teoria da Associação Diferencial, Edwin Sutherland afirmou que o comportamento criminoso é aprendido por meio da convivência e comunicação com outras pessoas, em que circulam pautas criminais e anticriminais. O ponto central é que esse aprendizado utiliza os mesmos mecanismos de qualquer outra aprendizagem: o indivíduo adquire conhecimentos, valores e orientações por meio de processos cotidianos de interação social. Não há algo biologicamente distinto no crime; o que muda é o conteúdo aprendido e o equilíbrio das influências recebidas.
“Edwin Sutherland defendeu que o processo de aprendizagem do comportamento criminoso por meio da associação com pautas criminais e anti criminais compreende os mesmos mecanismos abrangidos por qualquer outra aprendizagem.” (FCC – Defensor Público / DPE-ES / 2023)
Essas pautas correspondem a definições, justificativas e técnicas que podem ser favoráveis ou desfavoráveis à violação da lei. Ao se expor a pessoas e grupos que comunicam tais conteúdos, o indivíduo internaliza essas definições como guias para a ação. Como em qualquer aprendizado social, a comunicação face a face, a observação e a repetição consolidam aquilo que foi transmitido, mostrando que a criminalidade é produto de processos formativos ordinários, e não de anomalias individuais.
Para Sutherland, o que inclina a balança é a predominância de associações que favorecem a infração sobre aquelas que a condenam. Fatores como a frequência, a duração, a prioridade e a intensidade dessas relações ajudam a explicar por que certas pessoas adotam condutas ilícitas. Ainda assim, o mecanismo subjacente permanece idêntico ao de qualquer outra aprendizagem: aprende-se por interação social aquilo que se pratica, inclusive o crime, quando as definições pró-violação da lei superam as anti-violação.