A Teoria do Etiquetamento, associada ao interacionismo simbólico, destaca que o desvio não é uma qualidade do ato em si, mas um rótulo atribuído pela reação social. Nesse contexto, Howard Becker analisa como as interações e as respostas da sociedade moldam a identidade do indivíduo como “desviante”. O foco recai menos no comportamento inicial e mais no processo de rotulação, capaz de consolidar carreiras desviantes.
A partir de suas observações sobre desvio e reação social, Howard Becker constrói um modelo sequencial constituído por quatro tipos teóricos: o comportamento apropriado, o desviante puro, o falsamente acusado e o desviante secreto. (FGV – Delegado de Polícia – Edital nº 01 / PC-AM / 2022)
Com base nessas observações sobre desvio e reação social, Becker propõe um modelo sequencial composto por quatro tipos teóricos. São eles: comportamento apropriado, desviante puro, falsamente acusado e desviante secreto. Esse esquema ajuda a entender a combinação entre a prática (ou não) de uma conduta considerada desviada e a existência (ou não) de rotulação por parte do grupo social.
No comportamento apropriado, o indivíduo não pratica a conduta desviada e tampouco é rotulado, mantendo-se conforme às expectativas sociais. Já o desviante puro é aquele que efetivamente viola a norma e é reconhecido e rotulado como tal, sofrendo as consequências dessa marca social. Nessa dinâmica, a reação social valida o rótulo e pode reforçar trajetórias futuras de desvio.
O falsamente acusado não pratica a conduta proibida, mas é rotulado como desviante por erro, preconceito ou abuso de poder, evidenciando que a etiqueta pode surgir independentemente do fato. Por fim, o desviante secreto viola a norma, mas não é descoberto nem rotulado, permanecendo aparentemente conforme. Ao distinguir esses quatro tipos, Becker explicita que a rotulação é decisiva para a definição social do desvio, tema recorrente em provas de concursos.