A teoria sociológica que buscou explicar os crimes de colarinho branco é a teoria da associação diferencial, desenvolvida pelo sociólogo americano Edwin Sutherland com base nos pensamentos de Gabriel Tarde. Ao deslocar o foco do crime das classes marginalizadas para as práticas ilícitas no meio corporativo e profissional, Sutherland mostrou que condutas como fraudes, cartéis e manipulações contábeis não decorrem de uma suposta anomalia individual, mas de processos de aprendizagem social em contextos de alta respeitabilidade.
“Entre as teorias sociológicas do crime, aquela que buscou explicar os crimes de colarinho branco (white-collar crimes) foi a teoria da associação diferencial, desenvolvida pelo sociólogo americano Edwin Sutherland, com base nos pensamentos de Gabriel Tarde.” (CESPE / CEBRASPE – Delegado de Polícia / PC-PE / 2024)
Segundo a associação diferencial, o comportamento criminoso é aprendido por meio da interação, sobretudo em grupos próximos. Nesses contatos, a pessoa absorve tanto técnicas (o “como fazer”) quanto motivações, racionalizações e justificativas para delinquir. A escolha pelo crime decorre do excesso de definições favoráveis à violação da lei em relação às desfavoráveis, mediado pela frequência, duração, prioridade e intensidade das associações. Essa chave explicativa se aplica a qualquer camada social, inclusive às elites econômicas.
No universo corporativo, colegas, superiores e redes profissionais podem transmitir racionalizações do tipo “todos fazem”, “é prática do mercado” ou “é necessário para bater metas”, além de ensinar as técnicas para ocultar desvios. Inspirado nas ideias de Tarde sobre a imitação e a difusão de padrões de conduta, Sutherland evidenciou que tais práticas são aprendidas e reforçadas dentro de culturas organizacionais específicas. Assim, a teoria rompe o estereótipo de que crime é fenômeno exclusivo de classes baixas e oferece base teórica para políticas de compliance, educação ética e controle interno.