Vitimização secundária é a que ocorre após o crime, quando a vítima não recebe amparo adequado dos órgãos oficiais do Estado durante o registro e a apuração do delito. Manifesta-se, por exemplo, no mau atendimento por um policial, no tratamento frio ou desrespeitoso, ou na condução burocrática que ignora as necessidades emocionais e jurídicas da pessoa vitimada. Nessas situações, a vítima passa a sentir-se um objeto do direito, e não um sujeito de direitos, o que caracteriza exatamente a vitimização secundária.
Quando a vítima, em decorrência do crime sofrido, não encontra amparo adequado por parte dos órgãos oficiais do Estado durante o processo de registro e apuração do crime, como, por exemplo, o mau atendimento por um policial, levando a vítima a se sentir como um “objeto” do direito e não como sujeito de direitos, caracteriza vitimização secundária. (VUNESP – Delegado de Polícia Civil de 1a Classe / PC-CE / 2015)
Importa diferenciar: a vitimização primária decorre diretamente da infração penal em si; a secundária resulta das interações institucionais que se seguem, especialmente no percurso de registrar a ocorrência e ver o caso investigado; já a terciária relaciona-se à estigmatização social da vítima. Assim, descrédito do relato, culpabilização implícita, exigência de repetir inúmeras vezes a narrativa sem acolhimento, demora injustificada ou exposição indevida são expressões típicas da vitimização secundária, pois agravam o sofrimento e minam a confiança no sistema de justiça.
As consequências são relevantes para a política criminal e para a prova: retraumatização, subnotificação, desistência do procedimento e afastamento das instituições. O enfrentamento passa por atendimento humanizado, capacitação de agentes públicos, informação clara sobre direitos e procedimentos, respeito à dignidade e mecanismos que evitem revitimização durante o registro e a investigação. Em termos de prova, ao identificar ausência de amparo estatal no atendimento e a sensação de redução da vítima a mero objeto do processo, a alternativa correta apontará para a vitimização secundária.